“O Rei da Vela” Nova montagem de Zé Celso, no Sesc Pinheiros Teatro Paulo Autran

Por Lenise Pinheiro

O Rei da Vela veio à luz, invertendo a métrica do teatro, onde os aplausos acontecem nos agradecimentos ao final da cada apresentação. Aqui a diferença

desce por varas onde rotundas abrasileiradas, preenchem a visão.

Ao irromper o pano Renato Borghi, recebe uma saraivada de palmas. Eu na coxia, onde a alta tensão se estabeleceu, vi e ouvi de perto o ressurgimento do fazer teatral, reencenado cinquenta anos depois, da primeira apresentação.

O ator nada disse e foi coroado pelo público que aplaudia e gritava.

A propalada chama votiva está ali acesa, de pé à minha frente.

No canto do palco o boneco. Brinquedo em escala descomunal. A mesma proporção tomando forma na plateia.

O palco uma cidade. Uma instalação onde os achaques são denunciados entre o leque e o sorvete. Da caixa preta, luzes coloridas.

O crepitar dos aplausos pontuam toda a apresentação.

Espetáculo de todos. Da agulha e dos alinhavos até o pé direito imenso. Preenchido pela mágica do encontro Hélio Eichbauer e Beto Bruel.

Cada personagem, um rosto. Rabiscos e cores para falar das urgências do Brasil.

Sigo os ventos e as fumaças nos palcos da companhia do Zé Celso e do Marcelo há tantos anos que não acertamos mais uma quantificação de tempo.

Os afetos formam tentáculos entre o ser e o estar.

Verbos de ligação. Imprescindíveis na escrita de Oswald de Andrade.

O Público sai da sala com palmas a bater e velas para acender.

Sesc Pinheiros Teatro Paulo Autran

Sábados 19h Domingos 18h

Texto | Oswald de Andrade
Diretor | Zé Celso
Conselheira poeta | Catherine Hirsh
Assistente do diretor | Cyro Moraes
Elenco | Renato Borghi, Marcelo Drummond, Sylvia Prado, Camila Mota, Tulio Starling, Ricardo Bittencourt, Regina França, Roderick Himeros, Elcio Nogueira Seixas, Joana Medeiros, Daniele Rosa, Tony Reis e Zé Celso.
Ponto | Nash Laila
Canção de Jujuba | letra de Oswald de Andrade e música de Caetano Veloso
Diretor de arte | Hélio Eichbauer
Assistente do diretor de arte | Luiz Henrique Sá
Arquitetura cênica | Carila Matzenbacher E Marilia Gallmeister
Diretor de cena | Otto Barros
Crontraregra | Vinicius Alves
Cenotécnico e Contraregra | Alicio Silva
Costura cenogáfica | Oneide Cauduro
Aderecistas | Igor Alexandre Martins e Andrea Guzman
Criador do bonecão Abelardo I | Ricardo Costa
Criadora da cobra de Abelardo I | Lala Martinez Corrêa
Pintura artística | Vicent Guilnoto
Figurinista | Gabriela Campos
Assistente de figurino | Marcela Lupiano
Estagiário de figurino | Lucas Andrade
Alfaiate | Lello
Costureiras| Judite Lima, Cris Mike, Joana e Salete
Sapateiro | Davi e Pedro
Camareira | Cida Melo
Maquiadora | Beatriz Sergio de Barros
Assistente de Maquiagem | Camila Barros
Iluminador | Beto Bruel
Operador de luz | Ricardo Morañez
Operadores do canhão de luz | Luana Della Crist e Pedro Felizes
Montagem da luz | Pedro Felizes e Renato Banti
Sonoplasta | Andréia Regeni
Operador de som e microfone | Rodolfo Yadoya
Diretor de vídeo / Câmera | Igor Marotti
Câmera | Cafira Zoé
Diretora de produção | Ana Rubia Melo
Produtor executivo e administrador | Anderson Puchetti
Assistente de produção | Ederson Barroso
Comunicação, editoração do programa e textos | Brenda Amaral, Cafira Zoé e Camila Mota
Ilustrações de cenários e figurinos | Hélio Eichbauer
Pesquisa de imaginário / Makumbas gráphicas | Cafira Zoé e Camila Mota
Arquivista | Thais Sandri