“Guanabara Canibal”, encerra temporada no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro

Por Lenise Pinheiro

Guanabara Canibal

Aos primeiros acordes do piano, as portas se abrem.

Notícias divulgadas em primeira mão, na arena onde raízes e pesquisas celebram a fundação da cidade do Rio de Janeiro.

Comunidades indígenas violentadas com narração do repórter Amaral Netto.

Indigestões, desconforto e gargantas queimadas.

Correntes arrastadas pela história:

– “Você não vai falar por mim”.

O som, com acordes executados ao vivo.

Escambo entre o verde e o amarelo:

– “Ele está esperando apenas pelo momento certo”.

O rosto da exploração:

– “Os vencedores exploram os vencidos, obrigam a pagar impostos e a trabalhar”.

Lençóis do oportunismo. Até quando?

Vidas, recomeços e campos de batalha.

Gritos, vinganças e combates.

Pele pintada de vermelho.

Danças para relembrar todos os filhos mortos na guerra.

Baquetas denunciam saques. Rio de Janeiro.

Estácio de Sá, militar português, fundador da Cidade.

Sérgio Cabral “afundador” do Estado.

Goela abaixo:

– “Engole seu próprio veneno, engole o choro da sua morte, canalha. É assim que eu vou te chamar à partir de agora”.

Sons guturais, música e obsessões.

Atabaques evocando destruição.

Extermínios sangrentos. Pragas.

Denúncias metamorfoseadas em Teatro.

Fígado, coração, tutano, ossos e dentes:

– “Eu vou fazer um colar”.

Datas comemorativas, sons distorcidos e tapiocas.

– “Evervything all right”.

Vitórias. Trocas de luz.

Carolina Virguez, se vira do avesso. Ilumina.

– “A terra é o meu corpo. E eu sou parte do corpo da terra”.

Dezenas de tribos eriçadas no palco.

– “Entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão”.

Heitor Villa Lobos para delimitar terrenos.

-“As riquezas do mundo”.

Aquela Companhia é o nome do grupo desses intérpretes e criadores. Falam muitas línguas.

Resistem às porradas e aos castigos.

Atravessam paredes.

Ficam em nós.

Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro 3 – Rio de Janeiro

Quinta, Sexta, sábado e Domingo 19h30 (Últimas Apresentações da Temporada)

Texto: Pedro Kosovski

Direção: Marco André Nunes
Atores: Carolina Virguez, Matheus Macena, Reinaldo Junior, João Lucas Romero e Zaion Salomão
Direção Musical: Felipe Storino
Iluminação: Renato Machado
Instalação Cênica: Marco André Nunes e Marcelo Marques
Figurinos: Marcelo Marques
Visagismo: Joseff Cheslow

Ass. Direção e Produção: Diego Avila

Ass. de Cenografia: Carlos Peti
Produção Executiva: Aline Mohamad | MS Arte & Cultura
Produção Geral: Núcleo Corpo Rastreado
Realização: Aquela Cia.