“Não vejo Moscou da janela do meu quarto”, diretora Silvana Garcia, mistura Tchékhov e Cortázar.

Por Lenise Pinheiro

Montagem premiada, onde o espaço cênico é também protagonista, propiciando jogos entre metáforas, tangos e escolhas. Atores jogando fora tudo aquilo que não é essencial para a vida. Flutuações imaginativas, descartes lúdicos. Construindo a narrativa repleta de passagens de tempo. Recusas e escolhas para temer a morte, mudanças e rupturas. Confinados na geografia contada por cartões postais esparramados. Cartas com selos mas sem remetente. Lampejos de felicidade, recusas e inabilidades:

– “Nós nunca iremos para Moscou”, decreta a irmã Macha.

Sonhos construídos entre jardins, varandas, danças e champagne.

Estrelas e cegonhas no céu da imaginação. Divagações:

– “Vc já reparou que não temos mais relógios? As horas podem passar ou voar e não saberemos se é dia ou noite, ontem ou amanhã, não faz a menor diferença. E no entanto, nunca antes em minha vida eu me dei conta do tempo, tanto quanto agora. Hoje, de repente, eu entendi o que é o tempo, eu entendi como se deve viver, eu entendi tudo”.

Romances, dramas e certezas perdidas. Vemos sorrisos espalhados pelo cenário, nas capas dos discos de Eydie Gorme e Carlos Gardel. Onde vento, neve e gelo encerram a história. Rascunhos passados a limpo. Calefação racionada, trazendo poesia para perto de nós.

Oficina Cultural Oswald de Andrade -Teatro – SP

Quintas e Sextas 20h Sábados 18h

Concepção, Dramaturgia e Direção: Silvana Garcia;

Criação e Interpretação: Maria Tuca Fanchin, Pablito Kucarz e Sol Faganello