“Oeste Verdadeiro” direção de Mário Bortolotto, no Teatro Bar Cemitério de Automóveis

Por Lenise Pinheiro

Cenas que acontecem num mesmo cenário. A cozinha ocupa toda área do palco. Ambiente claustrofóbico que com o desenrolar da trama ficará praticamente destruído, assim como seus personagens. A trilha sonora, divide protagonismo e mistério, ao seu fundir com nítidos estrilos dos grilos e latidos esmaecidos nesse mundo cão de Sam Shepard.

O espetáculo subverte a lógica entre o amor fraternal, tempo e espaço. Aguça sentidos, perseguições e abandonos. Trava batalhas inglórias entre as

desafetividades entre dois irmãos. Alta voltagem mantida durante toda a apresentação:

– “Western da vida real”.

Diálogos rascantes, alto teor etílico e roteiros de cinema.

Ambiente impregnado e corrompido.

Arrufos, mágoas e zangas. Mentes e mentiras.

Diálogos insólitos entre socos e brindes:

-“Você não devia pegar a champanhe da mamãe. Ela vai dar falta”.

Laivos de ingenuidade, bitucas e samambaias.

Tormentas entre latas de cerveja e tacos de golfe.

Atores traquejados, iluminados. Autênticos.

Vidas analógicas, esquecidas ao som de uma máquina de escrever.

Amanhece lá fora. Fim.

Teatro e Bar Cemitério de Automóveis – SP

Sextas e Sábados 21h Domingos 20h

Texto Sam Shepard

Tradução Ana Hartmann

Direção e Trilha Sonora Mário Bortolotto

Atores Carcarah, Mara Faustino, Sergio Guizé e Walter Figueiredo

Cenário Mariko e Seiji Ogawa

Iluminação Caetano Vilela

Figurinos Letícia Madeira

Ass de Direção Grima Grimaldi e Peterson Queiroz

Técnico de Palco Gabriel Oliveira

Produção Executiva Carcarah

Produção Isabela Bortolotto