Crítica: Forever Young

Por Nelson de Sá

“Forever Young” é, muitas vezes, uma comédia rasgada, pastelão, sobre envelhecer. Sobre a perda gradual de si mesmo, mas também sobre brincar de novo, como criança.

Brincar de representar, mas num palco sempre visto como inóspito, de um retiro para idosos. No caso, para cinco atores e um pianista, todos com mais de 90 anos.

Um pouco como “Mamma Mia” e outros musicais “jukebox”, mescla hits de rock da segunda metade do século 20 com uma história bem delineada e algumas pontuações dramáticas.

Na versão brasileira, produzida por Henrique Benjamin e encenada por Jarbas Homem de Mello, a opção foi usar os nomes dos próprios atores para os personagens, seguindo o que foi feito noutros países com a peça de língua originalmente alemã.

Os desempenhos se tornam especialmente engraçados e/ou tocantes nos papéis deles mesmos em 2050. É o caso de Marcos Tumura, que conduz e faz o que quer com o público, nas cenas em que seu Tumura mistura canções por falta de memória, por não recordar o verso seguinte.

Em outra direção, também engraçada mas com nuances, Cláudia Ohana apresenta sua Cláudia fisicamente quebradiça e mentalmente decadente, mas não menos disposta ao brilho da boca de cena, ainda que de brincadeira.

Paula Capovilla, ranzinza e com ótimas intervenções cômicas, tem a voz mais tonitruante e os quadros musicais mais desenvolvidos.

O próprio Mello, Carmo Dalla Vecchia e Fafy Siqueira, com tipos bem característicos e humor também físico, respondem pelo esteio narrativo de “Forever Young”, bastante eficiente, em se tratando de “jukebox”.

É um musical de pequenas proporções, mas que explora tudo o que tem, como o pianista no palco.

Um problema, numa peça com tanta música pop, surge pela quase totalidade de canções em inglês, sem tradução, embora as letras sejam parte integral da história, ajudem a contá-la.

De qualquer maneira, tanto para o público como para os atores-personagens, são sobretudo melodias nostálgicas –a exemplo de tudo mais, no palco.

Uma versão desta crítica foi publicada na edição de 26 de agosto de 2016 com o título “Rock pontua comédia rasgada em musical sobre envelhecer”