Crítica: Notícias Populares – Edição Extra

Por Nelson de Sá

Como o nome indica, “Notícias Populares” é comédia popular. Mas que, apresentada em teatro de shopping e ecoando programas policialescos como “Cidade Alerta”, resulta também ela em exploração e degradação dos fracos.

Embora copie o nome do “Notícias Populares”, com figurinos e cenários que remetem ao jornalismo impresso, assim como o subtítulo “Edição Extra”, o que faz é parodiar e se fartar no catálogo de preconceitos da pior televisão aberta.

O grupo Os Melhores do Mundo, formado em Brasília, tem trajetória paralela à da geração “stand up”, com comediantes de talento que ganham público, internet e por fim TV –e se veem, afinal, reproduzindo o que antes questionavam.

Ricardo Pipo e sobretudo Welder Rodrigues têm atuação cômica sem freios, exuberante, desenvolvida em décadas de troca com o público –e, ao que consta, um bocado de improvisação, posteriormente incorporada aos espetáculos.

Mas os estereótipos, recurso originalmente de valor crítico, avançam de modo cada vez mais incômodo por nordestinos e personagens periféricos e oprimidos em geral, por homossexuais ou mulheres. O resultado é o velho “Zorra Total”.

Os Melhores do Mundo chegou a ter quadro no programa, cujo humor popularesco nem a Globo suportou mais e mudou. O modelo britânico do Monty Python, supostamente inspirador, ficou pelo caminho dos brasilienses hoje quarentões.

“NP” reúne esquetes, algumas delas meio alongadas, inclusive a mais conhecida, “Joseph Klimber”, já gasta por TV e internet. Apesar de tanto tempo –o grupo tem duas décadas– e das piadas recicladas, ainda não soam automáticas.

Dois quadros são novos, daí a “Edição Extra” dos anúncios, e houve também substituição no elenco. Seu efeito até aqui, ainda início de temporada, é de estranhamento, algo frio, freando o ritmo cômico forte da apresentação.

Sem espetáculo novo há mais de uma década, a fórmula parece ter chegado ao seu limite, para Os Melhores do Mundo.

Uma versão desta crítica foi publicada na edição de 31 de março de 2016, com o título “‘Notícias Populares’ se farta em catálogo de preconceitos da TV”