La Bête (O Bicho)

Por Lenise Pinheiro

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Concepção e Performance  Wagner Schwartz

Direção Técnica e Iluminação Diego Gonçalves

Produção Gabriela Gonçalves e Núcleo Corpo Rastreado

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André Malinsa

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Marina Poltronieri

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Thalles Terencio

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Raquel Francielle

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Leonardo Paes

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Clebson Cristovão

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Ana Letícia Villas Boas e Gilmar Magalhães

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Ana Letícia Villas Boas

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Lazuli Galvão e Ana Letícia Villas Boas

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Cacá Bordini

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Ana Letícia Villas Boas e Gustavo Fioratti

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Ana Letícia Villas Boas e Tiago Chiminazzo

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Ana Letícia Villas Boas e Thalles Terencio

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Ana Letícia Villas Boas e Natalia Nogueira

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Mariana Poltronieri e Leonardo Paes

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Thalles Terencio

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Clebson Cristovão

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Thalles Terencio

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Gilmar Magalhães

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Vitor Capoal

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A derradeira apresentação do solo La Bête (o Bicho), contagiou a todos. Reunindo o público ao redor de uma arena demarcada pelo piso, na Casa Hoffmann.

Fomos brindados pela performance de Wagner Schwartz, que provoca os sentidos. Nesse 25º Festival de Teatro, roteiros sederam às provocações. Construindo narrativas insólitas e irrepetíveis.

O trabalho do Grupo Corpo Rastreado, de extrema sensibilidade mescla teatro, dança e artes plásticas.

O pano se abre, o bailarino se apresenta nú, aparentemente entretido com um origami, como numa página em branco seus movimentos passaram a rascunhar o que vem a seguir. Olha para um rapaz da platéia e o convida para cena, sugerindo que agora é hora de soltar a pélvis.

Reverencia a obra de Lygia Clark, que nos anos 60, chamou para sí as atenções com a série Bichos.

O único elemento cenográfico, uma dobradura de material rígido, é uma fiel reprodução em menor escala.

La Bête -O Bicho é um exercício de precisão e o intérprete serve como base para a platéia criar cenas ou desconstrui-las à partir de seu corpo nú.

Aleatóriamente, dobras em carne e ossos tomam a cena.

Embuídos de criatividade novas posições se fazem valer através de movimento ou só pela imobilidade.

Sucessivos manuseios modulam a apresentação. Em alguns momentos vemos uma senhora cochilando, pessoas rindo, uns não sentam e outros se levantam, como em “Fim de Jogo”. Beckett está no ar.

Faz calor em Curitiba, dentro da sala a temperatura sobe, o termostato talvez pudesse aliviar a sensação térmica se a iluminação fosse menos acéptica.

Nuances na intensidade da luz ou focos que recortassem os corpos para criar sombras, poderiam trazer descontração e ritmo.

Vai ver era essa a proposta dos criadores.

O fato é que pequenos lapsos entre uma ação e outra, traziam à cena olhares maliciosos trocados entre o público. A folha em branco, como num laboratório fotográfico adquire traços, contornos e contrastes.

A experiência lúdica, se mostra aliada das artes.

Até o momento que uma insipiente performance chocou parte da audiência. No movimento dos corpos, o artista propunha vivência corporal, contracenação e toques. Interropidos por uma cena explícita de intolerância. Os corifeus se revezavam, entrando e saindo de cena até o momento que um casal assumiu a criação de novos movimentos. Formava-se o primeiro trio da noite. Esse fato parece ter descontentado uma das moças da plateia que protagonizou embate trunculento, primeiro, ela como se enrolasse um tapete, colocou o corpo inerte da acompanhante do protagonista, quase fora da lona. Outro atuador, recolocou (agora com doçura) a jovem no Olympo. O que chamou a atenção é que a cena fora interrompida. Pois a presepada maior estava por vir.

A doce menina foi alvejada com brutalidade e sentiu seus ossos contra o tablado. Um jovem da platéia cobriu os olhos com as mãos, outro tapou os ouvidos, incrédulo.O som do corpo jogado para fora de cena ainda ressoa em nós. Indagada ao final do espetáculo a moça se queixava de dor nas costas.

Foi a única intervenção grotesca, o pueril vestidinho azul e branco da carrasca, aquiriu tons verde oliva. Fora dos propósitos da exibição.

A performance segue com energia. O mesmo casal, volta å cena, já refeitos do baque e como protagonistas, manipulam o dorso de Wagner Schwartz.

Movimentos aqueados e suscessivos. Agradecidos.

Aplausos.

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25º Festival de Teatro de Curitiba

Casa Hoffmann

Dia 27/03 às 19h

Dia 28/03 às 21h

2016