Parallel Songs

Por Lenise Pinheiro

Textos, Voz, Performance e Objetos Fernanda Farah

Textos, Composição, Voz, Violão e Piano Chico Mello

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Acomodados na platéia do Teatro Paiol, um piano de cauda acompanha, silencioso a intrépida audiência.

Ainda sem saber o que esperar dessa apresentação diálogos e barulhos de toda natureza são interropidos pelo anúncio do terceiro sinal. Brota por entre as cadeiras um misto de silêncio e de expectativa.

Entra em cena Chico Mello, seu figurino remete aos costumes modernos da também moderna cidade alemã, Berlim. Onde ele vive com sua companheira de vida e palco, Fernanda Farah. Ela se aninha próximo ao palco. Vestida de calça, camiseta e botas caramelo. Combina tons que têm a vocação de não combinar.

Tudo é harmonioso na arquitetura desse teatro, nascido como paiol de pólvora, o prédio carrega em seu dna, antológicas apresentações. Desde Vinícius de Moraes, o primeiro a se apresentar lá, artistas consagrados se suscedem com o passar das temporadas. Mais uma consagração estava por vir.

O artista na primeira parte do “Parallel Songs, se faz valer apenas de uma caixa de fósforos, depois de um violão para sem muito esforço nos trancafiar em um sonoro rádio de válvulas, provocando chiados, introduções e primeiros acordes de clássicos da nossa música mesclando frequências. Fica a sensação de um painel rusticamente iluminado, chamado também de “dial” sendo rodado por mãos analógicas, titubeantes que gostam de tudo e preferem não escolher nada.

Mágica abertura, à essa altura o público se mostra bastante afeito às estripulias cênico-musicais que se suscedem.

Fernanda entra em cena nessa ambiência, sorve os olhares e os condecoram com toda ludicidade que o pequeno palco inspira.

O casal se mostra afetuoso ao apresentar os números musicais. Melodias e cançoes autorais servem de base para diálogos insólitos, ambivalentes e sensuais. Humor e sintonia fina

Os dois tocam variados instrumentos e o soberado piano já não está mais só. O mais requintado dos teclados se alia com prazer aos pertences de cosmética, artefatos do cotidiano, grãos de lentilha, farinhas coloridas e pequenos gestos que Fernanda usa. Talvez inspirada em Hermeto Pascoal ou em Dercy Gonçalves.

A dupla arrisca um pouco de “Esperando Godot” em seus diálogos rascantes.

A quanto tempo eles se conhecem? 3000 anos? Estão em baixo de uma árvore imaginária, que carrega em seus galhos a história deles e talvez a nossa também.

Hilariante é o momento que musicam um estranho diálogo a respeito de um casaco onde Fernanda conta se estranhar com uma amiga. Invernos rigorosos, intimidades e afinações à mostra. A pequena sala é aquecida pela iluminação.

Alguns se abanam enquanto a história do casaco é descortinada.

A intimidade ronda a narrativa, parecemos conhecer o final da história. O riso alinhava o final infeliz.

As modas de viola escolhidas para encerrar a audição possibilita que Fernanda Farah atinja o clímax vocal da noite. Deixando impressa sua potência nas paredes esmaecidas cobertas de fuligem musical.

Aos aplausos e manifestações de apreço, a dupla se curva e do bis articulado entre eles sobra amor para nós.

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25º Festival de Teatro de Curitiba

Teatro Paiol

Dias 24 e 25/03 às 21h