Batucada

Por Lenise Pinheiro

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Concepção, Craição e Direção Marcelo Evelin

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Colaboração Artística Carolina Mendonça e Show Takiguchi

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Atuadores Adolfo Severo, Ailen Scandura, Ailime Huckembeck, Ana Beatriz Figueiredo Tavares, Andressa Santos, Andrez Lean Ghizze, Anita Gallardo, BernardoStumpf, Bruno Moreno, Carolina Mendonça, Diego Davoli, Elisa de Oliveira Ribeiro, Erivelto Viana, Fabricio Boliveira, Felipe Steffen, Getúlio Cavalcante, Giorgia Conceição, Gladis Tridapalli, Heliton Cristiano Pinheiro da Silva, Jaciara Rocha, Lauro Borges, Ludmila Aguiar Velozo, Luiz Guilherme de Lima, Marcelo Evelin, Márcio Nonato, Mario Celso dos Anjos, Monique Monne, Raquel Bombieri, Ricardo Moreira, Rubia Romani, Soraya Portela, Valério Araújo, Vanessa Nunes, Vitor Sampaio, Wanderleya Aumê Correia e Wanderson Barbieri Mosco

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Suporte Técnico Márcio Nonato

Direção de Produção Regina Veloso

Assistência de Produção Gui Fontineles e Humilde Alves

Produção Local Marco Novak

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Assistência de Produção Cristopher Gegembauer

Operação de Luz Frank Sousa

Realizado por Demolition Incorporada + Kunstenfestivaldesarts

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Batucada

Espetáculo criado em 2014, em Teresina, Piauí. Carrega em sua bagagem passagens por Kunsten na Alemanha, Bruxelas na Bélgica e em São Paulo, Capital.

Felizmente cruzei o caminho de seus criadores Carolina Mendonça, Marcelo Evelin e Show Takiguchi, na noite de ontem, aqui no 25º Festival de Curitiba, onde as singularidades da mostra oficial inspiram as pluralidades da mostra fringe.

A primeira imagem é dos atores encapuzados de negro com narizes vermelhos, deixando os olhos à mostra. Logo eu saberia que tudo seria exposto. Nervos, músculos e arte.

Num galpão, o público tomava a pista e as galerias, remetendo à atmosfera de um baile funk, os cidadãos/artistas se misturavam à audiência com objetos do nosso cotidiano nas mãos, atitude lasciva, sem agressividade mas muito rock and roll.

Encarregada de registrar as cenas, sou rapidamente cooptada a adquirir comportamento ninja. Abraçando atores com a mão que estava livre, a outra na máquina, os olhos na cena e os corações de todos grudados no teto, literalmente.

Instados pelo momento político, alguns gritavam:

– “Não vai ter golpe”.

Vai sim. É um golpe de sorte ver essa peça, na última récita do Festival. Por sugestão do Gustavo Fioratti mudamos o destino para o Espaço Cult, que ainda não conhecíamos.

Acompanho as coberturas em Curitiba, desde a primeira edição do certame que fez da capital paranaense, sede de múltiplos espaços teatrais.

Sabia que o espetáculo traria cenas de nudez, eu que vivo da estética em minha fotografia, logo percebi que eles não estavam pelados e sim despidos. Os cidadãos/artistas foram recrutados através de oficinas e traziam em seus corpos, preparo e transgressão. O contagio foi imediato.

Vestidos com peças informais, passaram a bater panelas, chaleiras, latas de alumínio e até um galão de tinta sulvinil servia de percussão. Nada de improvisos era vida real.

Eu que ouso os protestos da janela de onde moro com bastante distanciamento pois acredito que o movimento tenha que partir de dentro para fora, de maneira íntegra e comprometida com uma nova ordem, muita gentileza e cuidado com o outro, sem distinção.

Estava tudo lá. Panelas percussivas, ritmos e finalmente a nudez.

A audiência motivada e envolvida pelo jogo tribalista, soltava urros e também incorporava a batucada.

O grupo se distanciava e embolava. A anatomia dos corpos perfilados e suados, em confronto com a platéia disposta a se entregar. O jogo inverteu agora era o público a protagonizar o coro de aplausos, assovios, abraços e beijos. O amor está no ar, literalmente. Balões vermelhos em forma de coração, decoravam o ambiente e nossas retinas.

Tinha alguma coisa de Mamonas:

– Já me passaram a mão na bunda e eu ainda não comi ninguém.

Misturada com a alta sofisticação dos rituais indígenas. Agora no olympo.

Peças do exíguo figurino inicial jogadas pelo espaço cênico.

Tinha gostado de um shortinho minúsculo de um ator escultural, agora o via a peça de vestuário,no chão, no abandono da cena, como as vezes vejo no Teatro Oficina. Ou nos versos de Oswald de Andrade.

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Minhas lentes, agora embassadas pela magia e pela força da apresentação. Enxergam a felicidade na pele de um diabo de nome Princesa Ricardo, nas purpurinas da Paolla Drag e no abraço do ator Marco Novack, meu fã confesso.

No final da apresentação os cidadãos/artistas de embolaram no centro da arena e depois nos conduziram pelas escadas e na rua se jogaram nos paralelepípedos do centro histórico. Para sair da casa de espetáculos precisamos passar por cima deles deixando para traz, algo precioso, como a fé cênica.

A experiência propiciada, vai tingir nossa existência com os diferentes tons de pele dos corpos que se entregaram a nós, agora em decúbito.

E como diria Gilberto Gil:

“111 presos são pretos, ou quase pretos”.

Enquanto guardava meu equipamento sob fina garôa, tive a sorte de ouvir um comentário inspirador:

– “Estou consentindo tudo”.

Posso dizer que eu também.

Lenise Pinheiro

Março de 2016

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Na Platéia. Princesa Ricardo (acima) e Paulo Cesar (abaixo)

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Realização Local Festival de Teatro de Curitiba

Espaço Cult

Dias 23 e 24/03

25º Festival de Teatro de Curitiba

2016