Crítica: O Musical Mamonas

Por Nelson de Sá

Envolvente, até fascinante, como a curta existência do grupo, o musical “jukebox” dos Mamonas Assassinas procura ser escrachado como seus protagonistas —os cinco músicos liderados pelo vocalista Dinho.

Tem a mão experiente do diretor José Possi Neto por toda parte, ele que já passou das cem encenações, agora criando o que chama, a certa altura, de primeiro musical biográfico besteirol.

De resto, no roteiro, “O Musical Mamonas” acompanha quase passo a passo o andamento do tocante documentário “Mamonas Pra Sempre”, de 2011 e que pode ser visto no Netflix e até no YouTube.

Apresenta cinco jovens que, em poucos meses, saem do Parque Cecap —de Caixa Estadual de Casas para o Povo— em Guarulhos para os programas de maior audiência e faturamento na televisão.

Tem cenas bem desenvolvidas, tanto nos diálogos como musical e coreograficamente, avançando pontualmente em algumas delas, a partir de elementos tirados dos vídeos de shows.

Conseguiu reunir atores que, ainda jovens e muitos deles desconhecidos, refletem seus próprios personagens pelos talentos explosivos de voz e humor.

O “tour de force” é de Ruy Brissac, cuja semelhança com o vocalista Dinho é física, inclusive nas expressões faciais, mas impressiona sobretudo pelo vigor juvenil e pela comicidade natural e incessante.

São as qualidades que tanto emocionam no documentário e que voltam a emocionar, até mais, no musical em cartaz no teatro Raul Cortez —sala não de todo adequada ao gênero.

Distribuída por todo o elenco, inclusive o coro, com destaque para os inúmeros personagens de Patrick Amstaldem, é a comédia que dá o tom. E se percebe uma paixão, um envolvimento geral do elenco pelo espetáculo.

Que tem os seus problemas, como tinham os Mamonas. O segundo ato se estende além do necessário e adentra de forma relutante, mal resolvida no drama.

O final trágico tem uma boa solução, um vazio de luz e som no palco e no espectador, que recorda então o acidente, mas até ali o segundo ato vai perdendo ritmo e atenção.

Uma versão desta crítica aparece na edição de 18 de março de 2016 (para assinantes) com o título “Comicidade dos Mamonas volta a emocionar, e até mais”