Os apócrifos de Shakespeare

Por Nelson de Sá

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Ontem, publiquei reportagem sobre os textos que começam a ser integrados ao cânone shakespeariano, ao lado dos 38 estabelecidos (36 do chamado First Folio, de 1623, mais “Pericles” e “The Two Noble Kinsmen”).

Em especial, cenas de “The Spanish Tragedy” e “Mucedorus”, a tragédia e a comédia mais populares no período, e “Arden of Faversham”. Também “Sir Thomas More”, com páginas manuscritas por Shakespeare (acima).

Em cena que remete até a Shylock, de “O Mercador de Veneza”, o protagonista More fala aos artesãos e aprendizes que se revoltaram em Londres contra os imigrantes, na tradução de Alípio Correia de Franca Neto:

“Ide à França ou Flandres, província alemã, Espanha ou Portugal … Sereis, por força, estrangeiros. Vos agradaria nação tão primitiva, que irrompesse com uma violência hedionda, não vos desse morada nesta terra, afiasse a faca odiosa em vossa goela ou vos chutasse como a cães? … Eis vossa desumanidade horrenda.”