Christiane Riera 1968-2012

Por Lenise Pinheiro

Eu  não pensava em estar aqui, agora. Diante dos fatos.E dessa

foto. Feita no ano passado, no meu celular,  dias depois de diagnósticos

nublados, cinzas,  sem cor.

Justo ela tão colorida!

A CHritica da Folha. Assim mesmo…com CH. Maísculo

Sempre tinha um negócio engraçado com a Chris.

Lembro que no escuro  na platéia do Teatro Jaraguá.

Uma olhou para a outra, e estavamos de novos óculos…iguais!!!

O meu branco o dela preto. Sem combinar combiávamos.

Nossas escolhas teatrais tb sempre “batiam”.

Acompanhá-la nesses últimos tempos foi  um fazer diário.

Pautas no dizer jornalístico. Coberturas. E depois consultas.

Medos, projeções, ataques de riso, pés  na cama, as graças da Iris.

As refeições naturebas. Que desde sempre fazíamos.

Falas quase diárias. Nessses últimos tempos. Calou.

Nasceu no dia do trabalho. Trabalhadeira. Guerreira. Estrela.

Me ensinou tanto em tão pouco tempo. Era tão culta. Tão bela.

Sempre respondia aos meus elogios com um modesto e mineiro:

-“Quem me déra”.

Minha homenagem em forma de falas.

Falas da amiga que agora chora.

Inundando as lentes dessa saudade imensa.