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Nelson de Sá e Lenise Pinheiro abordam montagens de peças, ensaios, vivências e experimentos

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Nem Um Dia se Passa sem Notícias Suas

Por Nelson de Sá

Lenise e eu fizemos uma entrevista com Edson Celulari para o fim de semana, nossa primeira colaboração em muito tempo, para o TV Folha. Foi sobre a peça “Nem Um Dia se Passa sem Notícias Suas”, direção de Gilberto Gawronski, que também participou da conversa.

Foi ao ar o essencial, na edição perfeita do programa. Uma narrativa curta, com o que ficou também para mim, depois da gravação e de ver o espetáculo: o texto tocante da jovem Daniela Pereira de Carvalho e o quanto ele leva, ainda que sem qualquer ligação direta com a realidade, aos 35 anos de carreira do ator.

É o que se costuma descrever como “one-act play”, peça de um ato, curta, que está para os três atos como um conto para o romance. É um tiro rápido e certeiro. Um homem de meia idade revê seu passado vasculhando a casa dos pais mortos recentemente, os velhos discos, roupas, memórias. Ao fundo, a morte do irmão, muito tempo antes, quando eram jovens. Um suicídio.

Nenhuma relação, mas o bastante para ver no semblante, no corpo, no olhar seguro de Edson Celulari os seus 54 anos.

Na conversa, antes mesmo de começar a gravar, ele lembrava de seus tempos de EAD, Escola de Arte Dramática, de São Carlos, de Bauru, onde nasceu e cresceu, assim como sua irmã, produtora-administradora da peça. “Nem Um Dia se Passa sem Notícias Suas” é bem familiar. Seu sobrinho, Pedro Garcia Netto, é o outro ator em cena, fazendo os papéis de irmão e filho.

Não posso dizer que tenha saído do Cultura Artística Itaim como fã incondicional da jovem autora carioca, mas é inegável o domínio da carpintaria por Daniela. Também sua coragem em enfrentar um tema tão caro ao teatro como o suicídio _ainda que tenha evitado chegar a extremos com ele.

Como bem lembrou Gawronski, na conversa-entrevista, não se deve buscar movimentos, não faz mais sentido, mas Daniela, ao lado de Leonardo Moreira, Jô Bilac e alguns outros nomes, certamente dá esperança para a dramaturgia brasileira.

Também para os roteiros de musicais e até cinema, áreas em que a fonte escrita é sempre tão deficiente no Brasil, dificultando desenvolver uma indústria cultural de verdade. (É sempre bom lembrar que “Mamma Mia” só virou fenômeno em musical e depois como filme, maior êxito da história do cinema inglês, por causa do roteiro da dramaturga Catherine Johnson.)

Novamente, Edson Celulari: ele já foi quase um símbolo do cinema nacional, com “Brasa Adormecida”, 25 anos atrás, mas agora, para além de sua pequena grande peça, vem de estrelar um musical da Broadway em versão local e se prepara para participar de outro, nacional.

O entusiasmo do ator, já avançado na carreira, chega a ser juvenil. Brinca com seus limites de canto e dança, que a EAD não preparou, mas quer mais, quer arriscar.

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